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Caso Rithely: Simbolo da ascensão do Sport

Muito se tem falado nos últimos dias em relação à negociação do Corinthians com o volante Rithely e o Sport. Para resumir o enredo, o clube paulista negociou com o atleta e seu empresário, chegaram num acordo, mas quando consultaram o Sport os dirigentes do Corinthians se assustaram com o valor da multa e resolveram esfriar a negociação. O falado é em cerca de R$ 40 milhões e o novo presidente leonino declarou que o valor da multa na verdade, passa disso.

Rithely chegou ao Sport vindo do Goiás quando era uma jovem revelação, em 2011, quando o clube pernambucano já era lastreado por uma politica de controle fiscal, valorização da de sua marca e base. Assim que chegou, sofreu nas mãos da torcida. Era o RUIMthely. Mas não demorou muito para se firmar no clube, e sua evolução técnica foi acompanhada pelo crescimento da confiança da torcida onde hoje é unanimidade. É o PIRLOthely da Ilha!

Em 2015 ano da ótima 6ª colocação no campeonato brasileiro, enquanto Diego Souza, Marlone, Elber, André e companhia limitada brilhavam no ataque do Sport, Rithely era talvez o jogador mais importante da equipe. Aquele carregador do piano sem o qual, não há espetáculo. Discreto, mas o responsável pelo equilíbrio tático da equipe. O Sport sem ele em campo ficava perdido. Ao fim da temporada, os astros se foram e restou para o volante uma boa proposta do futebol chines. Naquele momento, jogador e empresário avaliaram que sair do Sport e do Brasil seria ruim para a carreira. Preferiram jogar mais um ano na Ilha do Retiro para esperar uma proposta de outro centro. A diretoria não perdeu tempo e resolveu fazer um novo contrato, aumentando o salário do jogador, o tempo de contrato e consequentemente a multa rescisória, o clube sabia que tivera sorte.

No desastroso ano do 2016, Rithely permaneceu com uma regularidade assombrosa, e o inevitável aconteceu, proposta de um clube do eixo. Comenta-se que a proposta era de R$ 5 milhões. A multa é de mais de R$ 40.

É demais? É! O presidente do Sport disse que a ideia quando fizeram o novo contrato era de tornar a multa impagável para o futebol brasileiro. Não espera que seja paga integralmente, mas também não está disposto a fazer caridades.

O Sport é um clube em ascensão. Está à mais de 11 anos sem atrasar um mês de salário se quer. Tem as contas sob controle e as dividas de décadas estão sendo paulatinamente sanadas. Um CT que tem revelado jovens de muita qualidade como o Everton Felipe, Ronaldo, Neto Moura e o próprio Renê; é um dos maiores vendedores de camisas da Adidas na América Latina; triplicou o quadro social; tem aumentado sua receita ano após ano e se firmado como o maior clube do nordeste brasileiro.

Acompanho o Sport desde 2006, e já vi elencos serem desmontados no final de uma temporada sem que a direção pudesse fazer nada. Já vi jogador ser contratado em Dezembro e sair depois de um bom estadual. Parece que esse tempo passou!

No futebol tudo é dinâmico e pode ser que amanhã ou depois o negocio seja fechado por R$ 8 ou 10 milhões, mas o episódio serve de recado para os clubes do eixo: O nordeste deixou de ser linha auxiliar do futebol brasileiro.

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Do Planejamento…

Fim do ano também é fim de temporada para o futebol brasileiro. Com os “insucessos” dos clubes pernambucanos em 2016 uma palavra ganha destaque da imprensa desportiva local, bem como nas falas de dirigentes, jogadores e membros de comissões técnicas: o bendito Planejamento.

PLANEJAMENTO é o ato de planejar, é criar uma base sobre a qual se desenvolverá o trabalho. Consiste basicamente em estabelecer objetivos, metas, prazos, métodos e responsáveis.

O planejamento pode ser atingido em sua totalidade, mas ainda assim os resultados ficarem longe do esperado, ainda mais no futebol, longe de ser uma ciência exata. Quando um clube contrata um treinador o faz para a temporada inteira, esse é o planejamento. Mas se os resultados dentro de campo não aparecem é natural que o planejamento seja alterado e que o treinador seja substituído durante o ano. Mas ainda a substituição de técnico não significa em si quebra do planejamento, um clube pode estabelecer metas para o primeiro semestre que se não forem alcançadas ensejaria a mudança do técnico, tudo dentro do planejamento.

Agora imaginemos que analisando suas condições financeiras determinado clube resolva montar um elenco com jovens da base e alguns jogadores medianos. Esse é o planejamento. Acontece que um jogador de elevado nível técnico seja oferecido à custos relativamente baixos. Seria loucura deixar o planejamento inicial de lado para fazer tal contratação?

O planejamento não é uma camisa de força, nem mesmo aquele que prevê inúmeras variáveis e suas consequentes soluções. Na condução de um projeto é preciso flexibilidade, ousadia e ao mesmo tempo fidelidade aos objetivos.

É óbvio que a falta de um planejamento, para o volume de capitais que envolve o futebol hoje, seria de um amadorismo quase infantil. Mas PLANEJAR OU NÃO PLANEJAR não é sinônimo de sucesso ou insucesso em um clube de futebol, mais que isso, é necessário dirigentes à altura dos desafios. 

Um brinde de cerveja fria na arquibancada de cimento quente

Tentou-se mais uma vez tampar o sol com a peneira, dar uma resposta midiática e fácil a um problema complexo e profundo. De nada adiantou…

O baixo nível tecnico de nossas casas legislativas atrelado a  uma sociedade conservadora, sempre adota medidas radicais e de pouca efetividade frente aos problemas que visa combater. Formula-se leis a ritmo industrial ignorando acúmulos científicos. O que importa é dar uma resposta.

Até que o poder econômico se impôs e desmoralizou os arautos da moral e dos bons costumes. A lei vale, mas só para os nativos que não podem participar da festa. Beber em estádio de futebol só tem problemas quando não se é jogo de copa do mundo. Passada a festa, os arautos voltaram a se impor como se ainda restasse alguma moral.

Demorou, mas finalmente se pode voltar a tomar cerveja quente e cara  na arquibancada de cimento batido dos estádios de Pernambuco. Bom mesmo para o pobre trabalhador que tem como única diversão nos fins de semana cerveja e futebol.

Um brinde a 2016!

Juspositivismo no Futebol

Para Juristas Torcedores do Sport:

Depois do lance polêmico que decidiu o equilibrado jogo entre Corinthians e Sport, uma intensa discussão hermenêutica se estendeu por aqueles que, na ânsia de discutir tudo, não conseguem se aprofundar em assuntos técnicos.

O fato é, existe uma norma que fala em intencionalidade nos lances de bola na mão/mão na bola, e uma orientação que afronta diretamente a norma.

A norma, leva em consideração o caso concreto dando ao árbitro, uma margem para aplicar o direito ao caso concreto. A segunda, de inspiração juspositivista, procura eliminar os elementos subjetivos da norma e ter critérios objetivos para as situações. Seja lá como forem.

O argumento dos que defendem a aplicação do pênalti no lance de ontem, é na base da orientação que diz que, o jogador assume o risco dos movimentos naturais de seu corpo ao disputar a bola. Uma espécie de dolo eventual futebolistico. Esse argumento é um atentado ao futebol. Conduz necessariamente à conclusão de que, os jogadores não podem dispor dos recursos possíveis para a disputa da bola dentro de sua área defensiva. Esquece-se da função da principal da norma, para defender a letra da norma com um fim em sí mesmo.

Mas o principal é que, a resolução não revoga a norma anterior, até porque, elas são de natureza hierarquicamente distintas, sendo a primeira inferior à segunda, uma orientação para se interpretar a norma, e não à substituir.

É preciso repensar nossos sistemas jurídicos baseado no juspositivismo cego que chega à irracionalidade, acabar com o jargão da dura lex, sed lex. Que esse episódio sirva para trazer de volta a justiça ao futebol e de inspiração para o exercício diario de aplicação do direito.

Sando Meira Ricci: Até onde culpado?

aaaAlgumas Obervações para os Tricolores:

  1. O Santa Cruz entrou em campo visivelmente nervoso;
  2. O Sport, por ter ganho o primeiro jogo como ganhou, por dois a zero, tinha amplas condições de conseguir a classificação;
  3. O técnico Vica, ao contrário do que todos esperavam, manteve o mesmo time que perdeu para o Sport nos dois primeiros jogos;
  4. O time do Santa Cruz, não fez a famosa e esperada blitz de inicio de jogo, deixando o Sport cozinhar a partida como bem entendesse;
  5. Prova disso é que até a primeira expulsão, aos 19min, Magrão ainda não tinha feito nem uma defesa;
  6. A expulsão de Everton Sena foi inquestionável. Reparem o lance, ele não só (de nervoso talvez) bate com o cotovelo na cabeça de Neto Baiano, como observa a aproximação de Danilo e faz aquele chute que atinge o rosto do jogador rubro-negro, o suficiente para deixar marcas em seu rosto por todo o jogo;
  7. O pênalti de fato não existiu (embora haja uma câmera que encontra um chute no tornozelo de Filipe Azevedo), o arbitro porém, imaginou que o zagueiro tricolor usou o corpo para deslocar o atacante rubro-negro. O lance em velocidade, e ele já tinha advertido verbalmente jogadores das duas equipes por lances como estes (Neto Baiano e não sei qual foi o jogador do Santa que fez uma jogada parecida no próprio Felipe Azevedo);
  8. Neto Baiano não converteu o pênalti;
  9. O Arbitro errou mais uma vez, em não mandar repetir a cobrança, tendo em vista a invasão da área por parte de jogadores das duas equipes (como manda a regra);
  10. O lance da segunda expulsão era pra vermelho direto. O jogador do Santa Cruz pisa na perna do Durval, poderia até ter quebrado a perna do zagueiro rubro-negro. As cenas são fortíssimas, mas vejam. A expulsão foi justa;
  11. O lance em que o Felipe Azevedo foi expulso não foi nem falta. Era fim de jogo, porém, o arbitro expulsou o jogador rubro-negro, comprometendo a equipe para o primeiro jogo da final;
  12. Se existem culpados para a desclassificação do Santa, estes são os jogadores e o técnico por perderem o primeiro jogo na Ilha do Retiro como perderam, e pelo jogo da ultima quarta-feira, principalmente Vica pela previsibilidade e Everton Sena.