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Um Pernambuco de Faz de Contas

Parece que Paulo Câmara, governador de Pernambuco, finalmente tá aprendendo o modo psbista de governar, tão bem feito pelo prefeito do Recife Geraldo Júlio.

Recife virou uma cidade onde se faz de conta. O prefeito desenvolveu uma série de projetos pilotos, que atingem parcelas muito pequenas da população e que não resolvem os problemas que se propõe – pela pequena abrangência, muito menos resolve os reais problemas da cidade. Um exemplo disto é o projeto que colocou robótica nas escolas públicas: enquanto uma ou duas escolas da rede recebem esse investimento, louvável, centena são os relatos de queda na qualidade da merenda, no fornecimento de material escolar, estrutura, sem falar na briga constante dos professores para que o piso salarial seja cumprido. A robótica nas escolas é louvável, mas nem atinge o fim a que se destina, muito menos resolve os problemas da educação na cidade, mas serviu e muito (com uma bela campanha publicitária) na reeleição do até então muito rejeitado prefeito.

Paulo Câmara parece ter aprendido. Com o caos da segurança pública e as seguidas trapalhadas na pasta de defesa social, resolve apelar ao método de seu colega de partido e anunciou a criação do Batalhão de Operações Polícias Especiais, o BOPE PE.

Esse novo batalhão contará com 300 policiais que atuarão no combate ao crime organizado. Ao mesmo tempo, foi anunciada a aquisição de armas de grosso calibre e até de helicópteros.

A pergunta que surge é, todo esse investimento é para a segurança de quem?

Em Pernambuco, até o dia 14 de julho, foram 2170 assaltos a ônibus no ano. Quase em sua totalidade, o alvo dos criminosos não é a renda do cobrador, mas sim, os pertences dos passageiros, gente pobre que precisa andar de ônibus todos os dias. Só assaltos dentro dos ônibus. Imagine o número de roubo nas ruas da cidade, estupros e tantos outros crimes que acontecem a todo momento em todo lugar da cidade…

Mas ao invés de investimento em inteligência e em métodos investigativos, peritos e informatização, o governo parece ter escolhido fazer investimento para inglês ver, ou melhor, para cair bem na TV.

E assim Recife e Pernambuco seguem, com um abismo entre o mundo da TV e o mundo real, aqui, onde os problemas reais da maioria da população nem se quer são alvos da preocupação de gestores, para quem tanta violência não passa de um mero desconforto.

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Ônibus sem cobrador: Mais segurança pra quem?

Ônibus sem cobrador: Mais segurança pra quem?

Por Neyl Santos*

Foto: Portal NE10
Foto: Portal NE10

No dia 11/07/2016 o Consórcio Grande Recife passou a operar a linha “901 Abreu e Lima / Macaxeira” sem cobrador, sob argumento de que a medida, diante do alto numero de assaltos a ônibus que têm acontecido no Grande Recife, traria mais segurança aos que precisam desses sistema de transporte cada dia mais perverso. Acontece que o povo não é bobo e logo a medida tornou-se uma grande polemica, de modo que não nos cabe outra pergunta se não, mais segurança pra quem?

Antes de mais nada, cabe-nos deixar claro que o aumento do numero de assaltos a ônibus no Grande Recife é fruto tão somente e só, da falência do Pacto pela Vida. Programa que surge com uma série de diretrizes para atacar o problema da violência de forma multidisciplinar, mas que desde o inicio apenas o eixo da repressão foi levado a sério pelo governo estadual. Obviamente que combater um problema sem atacar suas raízes nada mais é que enxugar gelo. Uma hora a fatura chega. Mas não é do pacto pela vida que pretendemos tratar.

O terreno para a medida do Consórcio Grande Recife, vem sendo preparado desde o inicio das operações com os BRT’s, veículos que rodam apenas com o motoristas onde os usuários fazem embarque e desembarque ao longo do trajeto por meio de “estações”. Nestas estações, só é possível o pagamento da passagem com o uso do Vale Eletrônico Metropolitano (VEM), e consequentemente não existe o direito concedido por lei, da meia entrada aos domingos. Mas ora, se o terreno já vinha sendo preparado antes mesmo dos assaltos a ônibus voltarem a ocupar espaço de destaque na mídia local, a preocupação dos donos do transporte coletivo não pode ser com a violência e muito menos com a segurança de seus usuários.

O que na verdade os empresários precisavam era apenas de uma desculpa para por em pratica um desejo antigo, que é extinguir a função de cobrador de ônibus. E por uma razão muito simples: a diminuição da folha de pagamento e o consequente aumento nas já altas taxas de lucros. Esse pensamento aliás, é tipico da classe social a que pertence os donos das grandes empresas de ônibus. Eles não estão preocupados com a segurança ou com os empregos da classe trabalhadora, mas apenas com seus próprios interesses econômicos.

É obvio que a falta de dinheiro no caixa dos ônibus não evitam assaltos, tanto é que os BRT’s que é publico que não rodam com dinheiro, não ficam imunes à onda crescente de assaltos, basta ver a imprensa local. E isso também tem uma razão simples: o principal alvo dos assaltos aos ônibus somos nós usuários, que perdemos o pouco dinheiro que andamos no bolso, nossos documentos e pertences que tanto trabalhamos para comprar. De modo que, ter dinheiro com o cobrador é apenas um “extra” para os assaltantes. Quem não sabe disso?

Nove estações de BRT do corredor Norte-Sul são alvo de arrastão

Mas do empresariado não poderíamos esperar outra coisa, eles estão no papel deles. Muito embora façamos severas criticas ao modo como o sistema de transporte coletivo é conduzido no Grande Recife, devemos concordar que isso só acontece por conta da mão frouxa com que as prefeituras e principalmente o governo do Estado trata a questão.

As gestões PSBistas escolheram o caminho das aparências (e como exemplo, podemos voltar ao Pacto pela Vida, onde o pseudo combate a violência se deveu unica e exclusivamente ao aumento de policia no rua, pro povo ver), ao mesmo tempo que precisam quitar as dividas com os financiadores de suas campanhas eleitorais. Essa é a receita para governos comprometidos com os interesses dos que têm mais dinheiro.

Precisamos não nos calar, os rodoviários precisam entender que essa luta é de toda a classe, e não apenas daqueles que fazem a linha “Abreu e Lima / Macaxeira”. Esse é só o começo para o fim de uma importante categoria profissional. É o momento de ir para o combate, propor greve, e aproveitar esse momento em que a população não se deixou enganar.

Só com muita luta, conseguiremos frear a onda conservadora que nos quer tirar empregos e direitos, e recolocar o poder publico a serviço dos que mais precisam.

1f248-img_20150410_104104*Neyl Santos é estudante de Direito pela Faculdade Salesiana do Nordeste, usuário do transporte coletivo e administrador da Página Xambá da Depressão.

Seis da Tarde

Seis da Tarde
 
Seis da tarde
Veículos engarrafados na rua.
Dentro do ônibus,
Veículos de almas igualmente congestionados.
Quem foi que disse que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço?
Trabalhadoras agoniadas pra chegar em casa,
Trabalhadores agoniados para encontrar seus filhos.
Logo atrás, uma sirene atordoante,
E o motorista querendo passar por cima.
Pra onde vai?
Pra onde vamos?
 

Passe Livre Aos 60. Um Direito Conquistado!

A sociedade recifense tem muito que comemorar nesta terça-feira. Depois de muita luta o projeto de lei municipal de numero 17.834 de autoria do companheiro Múcio Magalhães (PT), que garante a gratuidade no sistema de transporte coletivo (que deveria ser publico) às pessoas idosas a partir dos 60 anos foi finalmente sancionada pelo prefeito e já está em vigor na cidade.

Esse projeto em minha opinião visa nada além de fazer justiça à população desta idade, tendo em vista que o estatuto da pessoa idosa define a pessoa nesta condição a partir dos 60 anos, enquanto que a gratuidade no transporte coletivo só era garantida para pessoas a partir dos 65 anos. Uma contradição.
Além de um reparo, esta lei é de extrema importância para aqueles e aquelas que tanto contribuíram (e ainda contribuem) com o desenvolvimento de nossa cidade e de nosso país. Muitos já chegam nesta idade sem poder trabalhar e ainda há aqueles que não conseguem se aposentar dependendo de terceiros para se locomover ter acesso apenas assim ao direito constitucional de ir e vir.
Entretanto, embora esta lei já esteja em vigor, o sindicato das empresas de transportes de passageiros de Pernambuco (acreditem, isto existe!) parece não ter aceitado passivamente a lei municipal. Alegando a dificuldade na aplicação tendo em vista que o transporte coletivo não circula apenas na cidade do Recife, mas em toda região metropolitana, os empresários dão entrevista desconhecendo a matéria e afirmando que irá à justiça derrubar a lei. Embora já esteja em vigor, os profissionais da área não receberam nenhum tipo de orientação, o que está causando transtorno e constrangimentos nas ruas da cidade.
O que mais me revolta é o fato de que os empresários querem que caso não consigam derrubar a lei na justiça, o governo cubra com dinheiro publico o “furo” causado pela lei, e ainda ameaça que o repasse será feito à tarifa dos passageiros pagantes. Em momento algum é colocada em questão a redução das taxas de lucros para garantir aos cerca de 56.265 de pessoas entre 60 e 64 anos de idade (o representa menos de meio por cento da população total da cidade que é de 1.537.704 habitantes) este direito.
Eles já estão se movimentando e cabe a nós, enquanto sociedade civil organizada lutar pela garantia desta lei. Devemos mobilizar toda a população para pressionar os tubarões do transporte coletivo a não só garantir a gratuidade a partir dos 60 anos de idade, como a congelar os preços da tarifa que já são exorbitantes tendo em vista a péssima qualidade do serviço prestado.