Do Planejamento…

Fim do ano também é fim de temporada para o futebol brasileiro. Com os “insucessos” dos clubes pernambucanos em 2016 uma palavra ganha destaque da imprensa desportiva local, bem como nas falas de dirigentes, jogadores e membros de comissões técnicas: o bendito Planejamento.

PLANEJAMENTO é o ato de planejar, é criar uma base sobre a qual se desenvolverá o trabalho. Consiste basicamente em estabelecer objetivos, metas, prazos, métodos e responsáveis.

O planejamento pode ser atingido em sua totalidade, mas ainda assim os resultados ficarem longe do esperado, ainda mais no futebol, longe de ser uma ciência exata. Quando um clube contrata um treinador o faz para a temporada inteira, esse é o planejamento. Mas se os resultados dentro de campo não aparecem é natural que o planejamento seja alterado e que o treinador seja substituído durante o ano. Mas ainda a substituição de técnico não significa em si quebra do planejamento, um clube pode estabelecer metas para o primeiro semestre que se não forem alcançadas ensejaria a mudança do técnico, tudo dentro do planejamento.

Agora imaginemos que analisando suas condições financeiras determinado clube resolva montar um elenco com jovens da base e alguns jogadores medianos. Esse é o planejamento. Acontece que um jogador de elevado nível técnico seja oferecido à custos relativamente baixos. Seria loucura deixar o planejamento inicial de lado para fazer tal contratação?

O planejamento não é uma camisa de força, nem mesmo aquele que prevê inúmeras variáveis e suas consequentes soluções. Na condução de um projeto é preciso flexibilidade, ousadia e ao mesmo tempo fidelidade aos objetivos.

É óbvio que a falta de um planejamento, para o volume de capitais que envolve o futebol hoje, seria de um amadorismo quase infantil. Mas PLANEJAR OU NÃO PLANEJAR não é sinônimo de sucesso ou insucesso em um clube de futebol, mais que isso, é necessário dirigentes à altura dos desafios. 

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Preparatório Para o Exame de Ordem em Cinco Anos

Quando alguém diz que vai cursar Direito a reação de quem ouve geralmente é de espanto. Reza a lenda que os estudantes deste curso precisam ler mais que o pessoal de letras, estudar mais que a galera de Engenharia e andar feito um louco pelas ruas com um monte de livros como o pessoal de Ciências Sociais – esta ultima fortalecido pelo sem números de estudantes vagando de um lado pra outro da cidade com seu vade mecum à tira colo.

A verdade é que todas essas impressões, assim como aquela de que quem escolhe esse curso vai subir na piramide social e tantas outras são falsas. Absolutamente falsas para todo aquele estudante que não é, um ser anormal.

O dia a dia do curso é bastante monótomo e cansativo mas não pelo conteúdo especifico da grade de Direito, mas pela didática, pela forma como toda a graduação é pensada e tocada em nosso país.

Todos os dias o estudante vai pra faculdade, senta numa cadeira onde fica ouvindo durante horas a figura do mestre, detentor do conhecimento, fazendo as anotações que o próprio professor considera importante. Raramente um professor provoca seu rebanho a fazer perguntas e a formular saídas, tudo dentro das margens que o mesmo predeterminou.

Os métodos avaliativos são bastante complexos. Mentira. Se resumem a encontrar a certa dentre as alternativas apresentadas. Quando o professor não formula as próprias questões – na maioria das vezes induzindo os avaliados ao erro com questões que absolutamente não vão servir para nada, pode ser que ele pegue questões de banca de concursos ou de alguém exame de Ordem passado. Neste ultimo caso, o estudante tem a alternativa de ao invés de estudar, responder questões e esperar que com certeza será agraciado com algumas já vistas na prova. Ainda há as questões subjetivas onde o subjetivismo deve se ater ao apresentado pelo professor em sala, sim porque embora ele diga que aceita seu ponto de vista em sala de aula, a ultima palavra continua sendo a do mestre, respaldado no que a doutrina (ou parte dela) diz.

Mas se ainda há os que estão assustados, não se preocupe, certamente vão haver os resumos salvadores e as videos aulas redentoras.

Tudo muito bem feito, até porque, a faculdade não passa de um curso preparatório para o exame da ordem diluído em cinco anos.

18 Brumário Num Manicômio Qualquer

Um bando de loucos tomou o manicômio, destituiu a diretora e colocou aquele que dizia ser o próprio Napoleão Bonaparte liderando o 18 brumário em seu lugar.

“Verba volant, scripta manent”

Para isto os golpistas resolveram mudar todo o regulamento daquela instituição. E foi assim, dia após dia Napoleão dizia uma asneira e seus iguais gritavam amém. O primeiro ato foi dar à Raposa o cuidado das Galinhas e ao Lobo o pastoreio dos Cordeiros. Ao constatarem que toda a população daquela casa estava supostamente muito sabida determinaram mudança na pedagogia, na verdade, resolveram trocar a pedagogia por qualquer outra coisa. Logo em seguida foi a vez do orçamento ter todo o cuidado daqueles paladinos, doutores da lei e das ciências. Foi determinado que durante vinte anos, não seria gasto nem um centavo a mais com medicamento e alimentação. Também forçaram cada habitante da nova republica a trabalhar mais e por mais tempo. “Bando de vagabundos” devem ter pensado.

Era preciso fazer todas aquelas reformas, e logo. Queriam ficar gravados na memoria das futuras gerações.

Os insatisfeitos eram taxados de loucos enquanto Napoleão seguia ostentando seu chapéu de papel (feito do melhor jornal e posto com força sobre sua cabeça), e conclamando seus fieis seguidores a defenderem com unhas e dentes toda a racionalidade trazida ao sistema.

Em terra de louco, quem tem razão é internado.

2º Turno no Recife: Vitória de João Paulo, do PT e da Esquerda!

2º Turno no Recife: Vitória de João Paulo, do PT e da Esquerda!

Não meu caro amigo, você não leu errado o titulo deste post, e eu não estou viajando na maionese. O Resultado do segundo turno das eleições do Recife deve ser considerado como animador para João Paulo, para o Partido dos Trabalhadores e, para o conjunto da esquerda de Pernambuco.

Num cenário completamente adverso, com a consumação do golpe parlamentar e a caça aos direitos sociais, num contexto de criminalização do PT e da Esquerda, e de avanço de forças reacionárias em todo país – vide a eleição de Crivella no Rio de Janeiro e de Anderson Ferreira em Jaboatão dos Guararapes, a candidatura de João Paulo no Recife se não conseguiu fazer da prefeitura um foco de resistência, motivou a nossa militância e deve ser encarada de forma vitoriosa. Se não vejamos:

No primeiro turno, somadas as quatro candidaturas de esquerda no Recife (João Paulo do PT, Edílson Silva do PSol, Simone Fontana do PSTU e Pantaleão do PCO), tiveram 227.339 votos. Só João Paulo teve 207.529 votos, o que o credenciou a ir para o segundo turno para enfrentar as forças da direita que, se no primeiro turno estavam divididas em quatro candidaturas (Geraldo Júlio do PSB, Daniel Coelho do PSDB, Priscila Krause do DEM e Carlos Augusto do PV), na segunda fase da eleição se reuniram em torno do objetivo maior que era derrotar o PT e a esquerda. Somada as abstenções com os votos brancos e nulos, tivemos 245.760 pessoas.

joao-paulo-campanha-recife-foto-tarsioalvesNo segundo turno, João Paulo teve impressionantes 333.516 votos, o que representa um crescimento de 60,7% de seus votos no primeiro turno. São 106.177 votos a mais do que toda a esquerda conseguiu juntas no primeiro turno. Os votos brancos, nulos e as abstenções tiveram um crescimento de 4,73%, e o seu oponente, representante das velhas e novas oligarquias de Pernambuco, cresceu apenas 22,5%.

Resta evidente que o crescimento de João Paulo não se deu sobre os indecisos do primeiro turno, mas me parece, que sobre a boa e velha polarização com a direita que em Pernambuco tem no PSB sua maior força atualmente. Também é importante lembrar que a direção do PSOL de Pernambuco não declarou apoio à João Paulo. Reza a lenda que o PCO não aprovou muito o fato de seu candidato no primeiro turno, o Pantaleão, ter declarado apoio à candidatura PeTista, e o PSTU, bem, o PSTU a gente já conhece. Embora muitos companheiros desses partidos e mesmo do PCdoB tenham se dedicado à campanha do JP.

Obviamente que essas linhas são apenas uma avaliação preliminar de um militante, e deve servir apenas para contribuir com a avaliação coletiva que virá em breve. Mas se falávamos durante a campanha que o João estava voltando, hoje posso falar que o João Voltou! E o Partido dos Trabalhadores bem como o conjunto da esquerda sai desse processo muito fortalecidos para o enfrentamento politico em defesa dos direitos da classe trabalhadora e por reformas estruturais que coloque o Estado à serviço daqueles que mais precisam.

Sobre o ProUni Recife e a educação básica: Uma questão de prioridades

Sobre o ProUni Recife­ e a educação básica: Uma questão de prioridades.

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1475675266267.jpgO Recife hoje, segund­o o Censo 2010, aprox­imadamente 406 mil jo­vens de 15 a 29 anos.­ Uma das principais v­itrines da campanha q­ue elegeu Geraldo Júl­io em 2012 para essa ­parcela da população ­foi o Programa Univer­sidade Para Todos – P­roUni Recife. A prome­ssa era de que 4.100 ­bolsas de estudos em ­instituições de ensin­o superior fossem con­cedidas.

No segundo semestre d­e 2015, no terceiro a­no de mandato, o prog­rama foi finalmente i­nstituído por lei com­ previsão orçamentári­a para 2.000 bolsas, ­mas até agora apenas ­um terço disso, 735 v­agas foram criadas. O­u seja, se propôs a f­ormular um programa p­ara aproximadamente 1­% da população jovem ­do Recife, três anos ­depois se conseguiu f­inanciamento para met­ade da previsão inici­al, e após um ano de ­programa, um terço de­ssas 2.000 bolsas for­am concedidas. O ProUni Recife atend­e hoje ⅓ da metade de­ 1% dos jovens da cid­ade.­

Isso não impede no en­tanto, que o atual pr­efeito use o programa­ como vitrine, agora ­pela reeleição. Vende a exceção como se regra fosse e enche os recifenses de vontade de viver no Recife da propaganda.

Primeiro precisamos d­eixar bem claro que d­efendemos que o dinhe­iro público deve ser ­usado em favor da mai­oria, e não para banc­ar empresários. Os re­cursos da educação de­vem ser investidos em­ ampliação e melhoria­ das vagas do ensino ­público e não no ensi­no privado. Esse deba­te é importante justa­mente pelo momento ec­onômico que atravessa­mos, onde a crise é d­esculpa para cortes d­e investimentos e red­ução dos serviços púb­licos. No Recife, por­ exemplo, não nos fal­ta relatos por onde q­uer que passemos sobr­e a falta de material­ escolar, fardamento,­ material didático e ­até de merenda. A sit­uação é ainda mais gr­ave quando analisamos­ os estudantes da cha­mada Educação de Jove­ns e Adultos – EJA qu­e não raramente, fica­m apenas com as sobra­s (quando existem) da­s turmas regulares, i­sso para não falar da­ estrutura física (ou­ a falta dela) na mai­oria das escolas. Precisamos investir igualmente na qualificação dos profissionais em educação, ampliar o número creches em nosso município, com horários flexíveis, de modo a atender as novas necessidades sociais. Precisamos do recurso público no que público é.

A responsabilidade co­nstitucional do munic­ípio com a educação é­ com o ensino fundame­ntal, e esse deve ser­ a prioridade de qual­quer prefeitura. Ampl­iar a oferta de vagas­ no ensino superior é­ importante, mas como­ dizem os mais velhos­ “farinha pouca, meu ­pirão primeiro”, e o ­pirão do município em­ questão de educação,­ estabelecido pela co­nstituição federal é ­o ensino fundamental.

Enquanto o poder público municipal tiver como prioridade o empresariado em detrimento do povo, continuaremos vivendo numa cidade muito diferente da que passa na TV,

Jovem, Cristão, Estudante de Direito e de Esquerda!

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