Carta escrita a 15 de Agosto de 2011

É com muita felicidade que hoje acordo. Ainda resacado da saída na noite de ontem mas de energias renovadas para a luta.
Ontem (14), Nós do Movimento Comunitário O Grito, avançamos mais um passo em nosso trabalho em Passarinho. Neyl, Tiago, Renan, Suzana e Thiago foram de porta em porta levar mais um fruto do nosso trabalho aos Zés e Marias de nossa comunidade, Pessoas sofridas que as vezes não quer saber de nada e Detesta Passarinho como disse um senhor de mais ou menos 60 anos que encontramos vindo da feira na comunidade Nova Esperança.
Também foi ontem que senti um ar carregado de espirito de mudança tomando meu corpo a cada inspiração ofegante da caminhada. Andando pelo bairro lembrei de minha infância e notei o quanto as coisas mudaram em um curto espaço de tempo. Ontem, andei por onde nunca tinha andado, ouvir historias que nunca tinha ouvido, falei com pessoas que nunca tinha visto… A andança não foi tão cansativa porque logo o primeiro morador que fui entregar o Jornal, um senhor com seus 40 anos de idade me perguntou “Esse jornal aí? É comunista?” eu receioso hesitei  “Nada…” e ele então falou “Tem que ser de filosofia comunista/socialista, se não for não presta.” Naquele instante quase chamo aquele homem de companheiro (na verdade me arrependo de não ter feito) mas só falei “Leia e tire suas proprias conclusões”. Esse pequeno dialogo, feito no meio da rua me motivou de uma maneira fora do normal.
Foi muito gratificante ver os moradores lendo nosso jornal em casa, na rua, no comercio, no trabalho, e até no bar. Distribuimos no porta a porta mais de 700 exemplares do Jornal das 11h as 15h, andamos por toda o bairro e só vimos um Jornal no chão, até mesmo no bingo que foi promovido pelo conselho de moradores em comemoração aos dias dos pais, se via muito lixo na praça mas nenhum informativo O Grito. Companheiros nos ligaram com o jornal em mãos, parabenizando pelo trabalho.
Quero agradecer a meus e minhas companheiras por me proporcionar momentos como este. Quero Parabenizar todos e todas envolvidos nesse processo e me arrisco até a citar nomes: Renan, Rafael, Tiago, Thiago Zezinho, Liliane, Jean, Jessica. Marcelo e Gyselly que contribuíram dobrando os jornais e granpiando a nota. André Fidelis, a Coopertec Informatica e o Espaço Mulher cedendo espaço para nossas reuniões e o pessoal do mandato popular de Múcio Magalhães principalmente as nas figuras do Ricardo e do Divonaldo.
Avante companheir@s! Nossos proximos passos são:
Atividade de Agosto do Movimento Catucarte Cultural (No dia 28 deste Mês no Alto da Bondade)
Nossa Primeira Assembleia Deliberativa (Vou assim chamar nosso encontro deliberativo do inicio de setembro)
A Edição de Agosto e Setembro do nosso Jornal (que já está atrasada por sinal)
E o documentário “Muito Prazer, Passarinho”
Pra isso tudo precisamos de fortalecer nossa já forte articulação na lista de emails, nas conversas na lan house na praça e na rua, nas atividades como a visita de hoje a noite ao Grupo de Capoeira União da Bahia (Juntamente com o pessoal do Catucarte), a reunião com o Catucarte no dia 22, a reunião de apresentação do projeto do documentário com toda a comunidade no dia 23, e nossas reuniões ordinarias (a proxima no dia 27).
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Cruzada Popular contra a Corrupção em Recife

A “cruzada popular” contra a corrupção no Brasil segue depois do 7 de setembro – data da 1ª Marcha Nacional Contra Corrupção. Este é um movimento que não podemos parar, todo dia é dia de levantar a voz contra corrupção. Recife mais outras 20 cidades já confirmaram participação num novo ato nacional contra corrupção, que será realizado no dia 12 de outubro, também feriado nacional, permitindo a participação de todos. 


Segue informações sobre o ato em Recife:

Dia – 12 – outubro – Feriado – Todos podem participar
Local: Pracinha de Boa Viagem
Hora: 14h às 16h será a concentração. De 16h passeata pacífica até o Edf. Acaiaca (1,5km de caminhada), onde penduraremos faixa contra corrupção na praia.

Temas que serão foco na manifestação: 1 – Constitucionalização do Ficha Limpa; 2 – Fim do voto secreto em todas as esferas legislativas e 3 – Apoio ao projeto-lei do senado 204/2011 que propõe tratar a corrupção como crime hediondo e aumenta a pena desses crimes. 

Participe e divulgue!!

Prevenção e não Repressão

Prevenção e não Repressão
 Neyl Santos
Abril de 2011
O Ultimo Século foi marcado por grandes conquistas no campo social, foi o século onde homens e mulheres cruzaram os braços, foram às ruas com paus e pedras. O poder vigente sempre respondeu com balas.

 O tempo passou, mas parece que não aprenderam com os grandes massacres que este costume sempre resultou. Hoje as pedras são outras, mas a repressão é a mesma. Em nosso pacifico bairro, por exemplo, as investidas militares têm assustado a população, até porque, não é todo dia que vemos passar em nossas portas um carro com um fuzil empunhado por um militar no teto (Cena digna de guerra).

 Sabemos que as drogas matam, mas fuzil mata tanto ou mais, é preciso atacar as raízes dos problemas e não apenas as flores dos altos galhos. Precisamos de políticas publicas que trabalhem na prevenção pra que novos jovens são sejam VITIMAS deste mal, precisamos de assistência social para aqueles que já são vitimas. Nossos jovens são jogados a tal situação pelo ócio causado pela falta de emprego, educação desmotivadora e muitas vezes por conflitos familiares.

     
         A nossa comunidade não precisa de armas, nossa comunidade precisa é de políticas de prevenção. Para que não precisemos mais enterrar nossos jovens.

Quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro


 No ano de 1977 acontecia no Brasil as primeiras manifestações depois do AI-5. Os movimentos estudantil e operário tomaram as ruas na luta contra o regime militar e o arrocho salarial. Estavam abertas as portas para a redemocratização do país. Os anos que seguiram foram talvez o período da história de pouco mais de 500 anos do Brasil, com maior participação popular na vida política do país.

 Este episodio comprova a tese de que até hoje nenhum direito foi concedido às pessoas por exercício de justiça. Todo direito tem sua gestação na população que toma consciência de determinada situação opressora, organiza a luta e toma as ruas, enfrentando todas as consequências que esta “opção” trás.

Grito dos/as Excluidos/as 2011

 O ano de 2011 está sendo marcado por uma tímida mais importante iniciativa popular contra a corrupção que assola os poderes legislativo e executivo. A população de maneira geral está entendendo de que enquanto os cofres públicos continuarem sendo alvos de mutretas e maracutaias, bandos e quadrilhas muito bem organizadas, falar em combate à pobreza é pura demagogia. Os frutos deste entendimento são grandes manifestações nacionais onde de preto e caras pintadas às pessoas vão às ruas dá um “#Basta” na corrupção.


 Em contra mão a tudo isso, tramita na câmera municipal do Recife, um projeto de lei do vereador Sergio Magalhães (PSD), que sob o pretexto de não atrapalhar a fluidez do transito, proíbe qualquer evento publico nas avenidas Boa Viagem e Conde da Boa Vista. A primeira, na zona sul, é onde acontece os dois maiores eventos religiosos da cidade, O “Sim à vida” promovido pela Igreja Católica, e a “Marcha para Jesus” promovida por igrejas (neo)pentecostais. Já a segunda, é palco de manifestações o ano inteiro. A grande maioria das greves, marchas, passeata, caminhadas e um monte de outras manifestações, acabam por tomarem a Conde da Boa Vista como grande passarela. Nela é onde também acontece o Grito dos/as excluídos/as.

 Fico imaginando se todo problema de mobilidade do Recife, são os eventos populares. Será que todo dia no final da tarde, existe passeata na Avenida Agamenon Magalhães? Gostaria de saber quais são os projetos do senhor Sergio Magalhães para a criação de ciclovias e de investimento no transporte coletivo (que está entregue a um punhado de empresários). O povo que vai pra rua, é o povo que se espreme dentro de um ônibus, e sabe muito bem o que é está preso num engarrafamento que não foi ele quem causou. Mobilidade parece ser a palavra do momento na gestão, e quando se fala da Avenida Conde da Boa Vista é até engraçado porque em favor da mobilidade, recentemente o numero de faixas foi reduzido de 6 para 4. Alguém que entenda de transito e de arquitetura, por favor, me explique, porque se queremos fazer o transito andar, o obvio é que as vias sejam expandidas, e não encurtadas.

 Este projeto me parece mais uma atitude reacionária que travestida com uma palavrinha do momento, quer abafar o movimento popular. Mas saibam companheiros/as, que se fecharem a Conde da Boa Vista pra nós, fecharemos outras vias (menos a Agamenon Magalhães que já é parada por natureza) para quem não interessa o transito parado, que é a classe burguesa.

 As manifestações são frutos deste modelo de sociedade dividido em classes que a elite política e econômica deste país escolheu. E como já dizia uma canção do povo Xucuru-Kariri “Pisa ligeiro pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro.”

Jovem, Cristão, Estudante de Direito e de Esquerda!