Prevenção e não Repressão

Prevenção e não Repressão
 Neyl Santos
Abril de 2011
O Ultimo Século foi marcado por grandes conquistas no campo social, foi o século onde homens e mulheres cruzaram os braços, foram às ruas com paus e pedras. O poder vigente sempre respondeu com balas.

 O tempo passou, mas parece que não aprenderam com os grandes massacres que este costume sempre resultou. Hoje as pedras são outras, mas a repressão é a mesma. Em nosso pacifico bairro, por exemplo, as investidas militares têm assustado a população, até porque, não é todo dia que vemos passar em nossas portas um carro com um fuzil empunhado por um militar no teto (Cena digna de guerra).

 Sabemos que as drogas matam, mas fuzil mata tanto ou mais, é preciso atacar as raízes dos problemas e não apenas as flores dos altos galhos. Precisamos de políticas publicas que trabalhem na prevenção pra que novos jovens são sejam VITIMAS deste mal, precisamos de assistência social para aqueles que já são vitimas. Nossos jovens são jogados a tal situação pelo ócio causado pela falta de emprego, educação desmotivadora e muitas vezes por conflitos familiares.

     
         A nossa comunidade não precisa de armas, nossa comunidade precisa é de políticas de prevenção. Para que não precisemos mais enterrar nossos jovens.
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Quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro


 No ano de 1977 acontecia no Brasil as primeiras manifestações depois do AI-5. Os movimentos estudantil e operário tomaram as ruas na luta contra o regime militar e o arrocho salarial. Estavam abertas as portas para a redemocratização do país. Os anos que seguiram foram talvez o período da história de pouco mais de 500 anos do Brasil, com maior participação popular na vida política do país.

 Este episodio comprova a tese de que até hoje nenhum direito foi concedido às pessoas por exercício de justiça. Todo direito tem sua gestação na população que toma consciência de determinada situação opressora, organiza a luta e toma as ruas, enfrentando todas as consequências que esta “opção” trás.

Grito dos/as Excluidos/as 2011

 O ano de 2011 está sendo marcado por uma tímida mais importante iniciativa popular contra a corrupção que assola os poderes legislativo e executivo. A população de maneira geral está entendendo de que enquanto os cofres públicos continuarem sendo alvos de mutretas e maracutaias, bandos e quadrilhas muito bem organizadas, falar em combate à pobreza é pura demagogia. Os frutos deste entendimento são grandes manifestações nacionais onde de preto e caras pintadas às pessoas vão às ruas dá um “#Basta” na corrupção.


 Em contra mão a tudo isso, tramita na câmera municipal do Recife, um projeto de lei do vereador Sergio Magalhães (PSD), que sob o pretexto de não atrapalhar a fluidez do transito, proíbe qualquer evento publico nas avenidas Boa Viagem e Conde da Boa Vista. A primeira, na zona sul, é onde acontece os dois maiores eventos religiosos da cidade, O “Sim à vida” promovido pela Igreja Católica, e a “Marcha para Jesus” promovida por igrejas (neo)pentecostais. Já a segunda, é palco de manifestações o ano inteiro. A grande maioria das greves, marchas, passeata, caminhadas e um monte de outras manifestações, acabam por tomarem a Conde da Boa Vista como grande passarela. Nela é onde também acontece o Grito dos/as excluídos/as.

 Fico imaginando se todo problema de mobilidade do Recife, são os eventos populares. Será que todo dia no final da tarde, existe passeata na Avenida Agamenon Magalhães? Gostaria de saber quais são os projetos do senhor Sergio Magalhães para a criação de ciclovias e de investimento no transporte coletivo (que está entregue a um punhado de empresários). O povo que vai pra rua, é o povo que se espreme dentro de um ônibus, e sabe muito bem o que é está preso num engarrafamento que não foi ele quem causou. Mobilidade parece ser a palavra do momento na gestão, e quando se fala da Avenida Conde da Boa Vista é até engraçado porque em favor da mobilidade, recentemente o numero de faixas foi reduzido de 6 para 4. Alguém que entenda de transito e de arquitetura, por favor, me explique, porque se queremos fazer o transito andar, o obvio é que as vias sejam expandidas, e não encurtadas.

 Este projeto me parece mais uma atitude reacionária que travestida com uma palavrinha do momento, quer abafar o movimento popular. Mas saibam companheiros/as, que se fecharem a Conde da Boa Vista pra nós, fecharemos outras vias (menos a Agamenon Magalhães que já é parada por natureza) para quem não interessa o transito parado, que é a classe burguesa.

 As manifestações são frutos deste modelo de sociedade dividido em classes que a elite política e econômica deste país escolheu. E como já dizia uma canção do povo Xucuru-Kariri “Pisa ligeiro pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro.”

O Cuidado com as Sementes

A juventude católica brasileira passa por um momento histórico muito importante. Proponho com estas linhas, trazer uma reflexão que ao meu ponto de vista se faz necessária.

Nos últimos meses, toda a igreja do Brasil se esforçou para enviar aquela que foi a maior delegação do país a uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Cerca de quinze mil jovens (e não mais jovens, diga-se de passagem), foram até Madrid em Agosto (2011) e vivenciaram uma forte experiência de fé. Na bagagem, mais que lembranças, trouxeram a responsabilidade de realizar no Rio de Janeiro a JMJ 2013. Antes mesmo disto, a CNBB já tinha tomado algumas atitudes para por em pratica a opção preferencial que a Igreja assumiu pelos jovens em Puebla, como a definição da campanha da fraternidade 2013 direcionada à juventude, a criação da Comissão Episcopal para a Juventude (dando assim maior estrutura para o trabalho de evangelização dos jovens), e a “tomada” do DNJ que durante 25 anos foi atividade da Pastoral de Juventude do Brasil (Antiga PJB que foi extinguia pela CNBB e que era a união das quatro pastorais de trabalho específico com as juventudes: Pastoral da Juventude – PJ, Pastoral da Juventude Estudantil – PJE, Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP, e a Pastoral da Juventude Rural – PJR).

Mas nos regionais, dioceses e paróquias, o papo do momento é sem duvida a JMJ Rio 2013. Já existe até uma corrida onde o objetivo é enviar o maior numero possível de ônibus a essa atividade! Esse entusiasmo começa pelos padres e religiosos e acaba tomando conta de toda a comunidade que acha que está fazendo um grande bem à juventude, e logo ao futuro da Igreja. Só que estamos esquecendo um pequeno detalhe que até aqui deixei de lado propositalmente: No Brasil, ao falar de “Juventude” estamos na verdade falando daS JuventudeS, e é a partir deste ponto que começa o problema.

Algumas das juventudes católicas em nosso país sempre se diferenciaram por pautar as grandes temáticas relativas à vida dos jovens pelos próprios jovens. Pelo sonho do reino de Deus já neste mundo, pelo sonho não, pela luta por este reino, dando assim grande contribuição não só à Igreja (com inúmeros padres, religiosos/as e leigos/as consagrados/as), mas também a toda a sociedade (muitos/as gestores/as públicos/as tiveram suas formações na militância das juventudes católicas).

                Ao focar todas as atenções para a JMJ Rio 2013, estamos correndo o risco de abafar tantos outros trabalhos iniciados no seio da Igreja do Brasil. Exemplo disto é a Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens, promovida pelas Pastorais de Juventudes a partir de um grito jovem contra a violência, que desde 2009 tem feito um importante trabalho de base levando o debate que se faz necessário para as rodas de amigos, paróquias, os conselhos de moradores e ao poder publico. Esta campanha tem fim no segundo semestre de 2012 com uma grande marcha nacional contra a violência e o extermínio de jovens e que pouco ou nada se tem falado a respeito. Sem falar no espaço que estas juventudes terão na JMJ Rio 2013. No evento de “Boas Vindas” do símbolo maior da Jornada no Brasil, numa vasta programação só nos coube espaço para o Zé Vicente. E não me venham falar que não estamos focando todas as atenções na Jornada, porque o DNJ, por exemplo, que sempre discutiu questões pautadas pelos Jovens, em 2013 vai “discutir” a temática da JMJ já anunciada pelo Papa (Ide e fazei discípulos de todos os povos), e não me impressionará se o tema da Campanha da fraternidade for por esse lado também.

                Aprendi na pequena experiência de trabalho com juventude, que o trabalho que surge de objetivos claros e concretos e com uma metodologia consistente, tende a resistir aos ventos do tempo e das adversidades. Estamos vivendo um tempo de articulação das Juventudes Católicas, e me assombra a idéia de que o único objetivo claro nesta articulação seja a participação maciça na Jornada do Brasil.

                A JMJ Rio 2013, já começou. A Cruz está rodando todas as dioceses deste imenso país. Aqui em Recife, na nossa ultima reunião da Comissão Episcopal para a Juventude (em Setembro 2011) às portas de um DNJ, volta e meia a Jornada vinha à tona e tirava todo o foco da reunião. Os trabalhos com as juventudes feitas no Brasil estão se adaptando à JMJ, quando eu penso que era a JMJ que deveria se adaptar aos trabalhos feitos no país para que estes sejam fortalecidos, pois a Jornada é passageira, quanto que as Pastorais e Movimentos são permanentes. Quando a Cruz da Jornada sair do Brasil, os Movimentos e Pastorais continuarão aqui, e não podem viver apenas de lembranças.

Da mesma maneira, as expressões juvenis não podem remar contra a maré neste momento, ou estão fadadas e ver a onda passar e levar as sementes lançadas com muito esforço. Ou os agentes pastorais e as lideranças dos movimentos se inserem no processo de construção da JMJ Rio 2013, buscando um maior poder organizativo de suas respectivas expressões, para fazer da Jornada um sucesso não só na semana que acontece, mas também no Pós Jornada, ou teremos que assistir essas expressões virando guetos, e ao termino da jornada, os jovens se dispersarem com a mesma facilidade que se reuniram. Do que adiantará a JMJ no Brasil, se em muitas Igrejas Locais os trabalhos com as Juventudes continuarem sendo perseguidos, abafados, difamados, por inúmeros motivos? Do que adiantará a JMJ no Brasil se os jovens continuarem a serem vistos como o problema, como a mão de obra pra traçar a massa, carregar tijolo e limpar a igreja e não como sujeitos com anseios, sonhos e esperanças, com necessidade do encontro pessoal com o sagrado, e com vontade de traçar seus próprios caminhos?

Será lindo ver todas as Juventudes Católicas do mundo em terras brasileiras (um dos países mais católicos do mundo), mas será mais ainda, se as Juventudes brasileiras chegarem em 2013 organicamente fortes, articuladas, e cheias de jovens a fim de viver uma vida de compromisso com o projeto de Cristo. Penso que apenas assim, a igreja do Brasil colherá os frutos da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013.

Recife, Setembro de 2011

Artigo também publicado em:

Muro Em Branco? Por Enquanto!!!

 Galera, A muito tempo queria criar um espaço para colocar textos que me vem na cabeça durante a caminhada.
 Primeiro eu criei em parceria com o Rafael Filipe o blog de poesias Perfume das Almas, um espaço legal mas que restringia as postagens.
 Então crio este blog, O Muro Em Branco, onde deixarei minha opinião a respeito de temas relativos à Juventude, à Igreja, ao meu bairro, à PJMP, à Sociedade e tudo mais o que eu tiver afim de falar.
 Espero que minhas palavras sirvam pra algo, mas sei que no minimo, servirá para que eu me sinta menos culpado pelas besteiras que acontecem ao meu redor.
Espero que gostem deste espaço!

Atenciosamente,
Neyl Santos

Jovem, Cristão, Estudante de Direito e de Esquerda!